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🌿 Resenha Crítica – Anne de Green Gables

  • Foto do escritor: Blog Nova Síntese
    Blog Nova Síntese
  • 21 de jan.
  • 3 min de leitura

Quando falamos de clássicos que atravessam gerações, é impossível não mencionar Anne of Green Gables, da escritora canadense Lucy Maud Montgomery. Publicado em 1908, o livro não é apenas uma história infantojuvenil — é uma ode à imaginação, à sensibilidade e à capacidade humana de transformar dor em poesia.


Foto: reprodução
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🌸 Uma protagonista inesquecível

Anne Shirley não é apenas uma personagem; ela é um fenômeno literário. Órfã, falante, dramática, intensa e absolutamente sonhadora, Anne chega por engano à fazenda Green Gables e, com sua personalidade vibrante, transforma tudo ao seu redor.

O mais brilhante na construção da personagem é sua humanidade. Anne erra, exagera, sente vergonha, explode em emoções — mas é justamente isso que nos conecta a ela. Ela não é perfeita, e é essa imperfeição que a torna eterna.


Foto: reprodução
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📌 Frase marcante:

“A vida vale a pena ser vivida, contanto que a gente tenha coragem.”

Anne nos ensina que imaginar não é fugir da realidade, mas ressignificá-la.


🌾 A narrativa: delicadeza e profundidade

A narrativa de Montgomery é incrivelmente sensível. Há uma simplicidade aparente, mas carregada de profundidade emocional. Cada diálogo tem ritmo, cada cena é construída com cuidado, e os conflitos — embora pequenos à primeira vista — carregam significados universais: pertencimento, identidade, autoestima, amadurecimento.

A autora escreve com leveza, mas nunca com superficialidade. A dor da rejeição, o medo de não ser amada, a insegurança de não se encaixar — tudo é tratado com uma ternura que mexe profundamente com o leitor.


Foto: reprodução
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📌 Frase marcante:

“Não é maravilhoso pensar em todas as coisas que ainda estão por acontecer?”

Essa esperança quase teimosa de Anne é contagiante.


🌅 As paisagens: poesia em forma de descrição

Se existe algo absolutamente encantador no livro, são as descrições das paisagens de Avonlea, inspiradas na própria Prince Edward Island.



Montgomery não descreve apenas campos e árvores — ela os humaniza. Os caminhos ganham nomes mágicos, as cerejeiras se tornam personagens, o pôr do sol vira espetáculo.

A natureza em Anne de Green Gables não é cenário: é extensão da alma da protagonista.


📌 Frase marcante:

“Estou tão feliz por viver num mundo onde existem outonos.”

Essa frase sintetiza o encanto da obra — uma capacidade quase infantil (e profundamente sábia) de encontrar beleza nas mudanças.


💔 Momentos marcantes do livro

Alguns episódios permanecem gravados na memória do leitor:

  • A chegada de Anne a Green Gables, quando descobrimos que ela foi enviada “por engano”.

  • O pedido silencioso por pertencimento no olhar dela.

  • O incidente do suco de groselha (um dos momentos mais constrangedores e ao mesmo tempo humanos da história).

  • A rivalidade com Gilbert Blythe e o famoso momento do “cenoura” puxando suas tranças.

  • O amadurecimento gradual de Anne — quando percebemos que a imaginação continua, mas agora equilibrada com responsabilidade.

O crescimento dela é sutil, mas profundo. Não há grandes reviravoltas dramáticas; há transformação interior — e isso mexe conosco de forma quase íntima.


💭 Por que mexe tanto com o leitor?

Porque Anne representa algo que quase todos nós já fomos:

  • A criança que queria ser aceita.

  • O adolescente que se sentia deslocado.

  • O adulto que ainda sonha secretamente.

O livro nos lembra da importância da imaginação, da amizade, do amor e da sensibilidade. Ele nos convida a desacelerar, a olhar para as pequenas coisas, a nomear caminhos, a admirar flores.

Há algo profundamente curativo na leitura dessa obra.


✨ Conclusão crítica

Anne de Green Gables é uma obra delicada, mas poderosa. Sua narrativa é brilhante não por grandiosidade, mas por sensibilidade. Montgomery transforma simplicidade em arte e cotidiano em poesia.

É um livro que alimenta a alma — assim como as paisagens descritas parecem alimentar os olhos.

Anne nos ensina que:

  • imaginar é sobreviver,

  • sentir é força,

  • e crescer não significa deixar de sonhar.

E talvez seja por isso que, mais de um século depois, continuamos voltando a Green Gables — porque lá dentro ainda mora uma parte de nós.



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