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🌊 Resenha Crítica – Anne da Ilha

  • Foto do escritor: Blog Nova Síntese
    Blog Nova Síntese
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

Depois de acompanharmos o crescimento de Anne em Avonlea, Anne da Ilha nos leva a um novo horizonte: a universidade, a independência, o amor — e as despedidas inevitáveis da juventude. Mais uma vez, Lucy Maud Montgomery nos envolve com uma escrita que não apenas conta uma história, mas molda o modo como enxergamos o mundo.

Este não é apenas um livro sobre romance. É sobre transição. Sobre aprender a deixar ir. Sobre perceber que crescer dói — mas também floresce.


Foto: reprodução
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🎓 O cenário que podemos atravessar com os pés descalços

Quando Anne parte para Redmond College, sentimos o friozinho da mudança junto com ela. As ruas novas, a casa que dividirá com as amigas, os corredores acadêmicos — tudo é descrito com uma delicadeza que transforma cada espaço em algo vivo.

Montgomery escreve de modo que caminhamos dentro do livro.

Conseguimos ouvir o som dos passos nas calçadas, sentir o vento vindo do mar da Ilha do Príncipe Eduardo, imaginar o cheiro das folhas no outono. Há uma materialidade na escrita que transcende a página.

“Nada jamais é realmente perdido para nós enquanto o guardarmos em nosso coração.”

Essa frase ecoa especialmente quando Anne precisa lidar com perdas e despedidas. O cenário não é apenas pano de fundo — ele participa da emoção.


🌿 A natureza como personagem silenciosa

Uma das maiores forças da série é a maneira como a natureza é tratada com reverência. Em Anne da Ilha, isso continua.

O mar, os jardins, as estações do ano — tudo pulsa.

Lucy nos ensina a admirar o que muitos ignoram. Quantas pessoas passam por uma árvore florida sem realmente vê-la? Quantas deixam de notar o céu tingido de rosa ao entardecer?

Anne não.

E, ao acompanhá-la, nós também começamos a notar.

Montgomery nos molda suavemente. Sem perceber, passamos a olhar com mais atenção. A respirar mais fundo. A desejar uma vida com mais significado e menos pressa.


Foto: reprodução
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💔 Cenas marcantes que doem e aquecem

Há momentos neste livro que ficam gravados.

A morte de personagens queridos nos atinge com uma delicadeza devastadora. Não há exagero dramático — há silêncio. E o silêncio pesa.

As reflexões de Anne sobre o amor também são marcantes. Suas idealizações, suas recusas, seus medos. A maturidade chega quando ela percebe que o amor real é diferente do amor imaginado — mas não menos bonito.

“O amor verdadeiro não precisa ser perfeito para ser eterno.”

Quando finalmente reconhece o que sente, a sensação é de fechamento de ciclo. Não é apenas um romance que se concretiza; é uma jornada emocional que amadurece.


Foto: reprodução
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🌊 Caminhando dentro da narrativa

O que mais impressiona em Anne da Ilha é como Lucy cria uma atmosfera habitável.

Não estamos apenas lendo sobre Anne. Estamos sentadas ao lado dela nas escadas da casa, olhando o pôr do sol. Estamos caminhando pelas ruas de Kingsport. Estamos partilhando risos e lágrimas com suas amigas.

Poucos livros conseguem essa imersão sensorial.

Sentimos o sal do mar no ar. O frio da despedida. O calor das amizades verdadeiras.


🌸 Como Lucy Maud Montgomery nos molda

Há autores que entretêm. Lucy educa o olhar.

Seus livros nos ensinam a:

  • Valorizar amizades profundas

  • Enxergar poesia na rotina

  • Amar a natureza com reverência

  • Entender que amadurecer não significa endurecer

Ela nos lembra que há beleza no simples — algo que o mundo moderno insiste em ignorar.

E talvez essa seja a maior crítica implícita na obra: vivemos rápido demais para perceber a delicadeza da vida.


Foto: reprodução
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📚 Análise Crítica

Anne da Ilha tem um ritmo contemplativo, por vezes introspectivo. Não é uma narrativa movida por grandes acontecimentos, mas por transformações internas.

Pode parecer “calmo” para alguns leitores. Mas para quem aprecia literatura que trabalha emoções, paisagens e crescimento pessoal, é um banquete.

A transição da adolescência para a vida adulta é retratada com honestidade: sonhos se ajustam, ilusões caem, sentimentos se esclarecem.

E, no fim, percebemos que Anne não perdeu sua essência — ela apenas a aprofundou.


✨ Conclusão

Ler Anne da Ilha é como caminhar à beira-mar ao entardecer: há melancolia, mas também esperança.

É um livro que nos ensina a amar melhor, a olhar melhor, a viver melhor.

Depois de fechar suas páginas, fica impossível ignorar a beleza do mundo ao redor.

E talvez esse seja o maior legado de Lucy: ela não apenas escreve histórias — ela molda corações. 💛


Foto: reprodução
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